Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

A melhor e mais requintada sala do pais para eventos com prestigio.
Classificado pelo IPAR – IIP Imóvel de Interesse público.
O charme antigo de um teatro sempre a inventar-se.

 

Frederico de Lima Mayer, homem requintado e de grande cultura, compreendeu que Lisboa, a exemplo das suas congéneres europeias, necessitava de um espaço exclusivamente dedicado ao culto da Sétima Arte, que então se encontrava em ascensão, mas onde fosse, igualmente, possível apresentar também outro tipo de espectáculos.

Nasceu assim, em 1924 e após 4 longos anos de obras, o edifício actualmente designado por Cine Teatro Tivoli, concebido segundo um projecto do arquitecto Raul Lino, e na época, a melhor sala do país.

Logo desde a noite da sua abertura ao público – com o filme “Violetas Imperiais” - o Tivoli impôs-se como uma sala de espectáculos onde apenas se apresentavam filmes de grande qualidade, cuidadosamente escolhidos entre as obras-primas da época.

Tendo iniciado a sua actividade ainda no tempo do cinema mudo, o Tivoli foi dotado para fonocinema em 1930 tendo em Novembro desse mesmo ano sido apresentado o primeiro filme sonoro - “A Parada do Amor”.

Desde então, pelo écran do Tivoli, passaram muitos dos maiores filmes da história do cinema nomeadamente “ O Mundo a Seus Pés”, “O Ditador”, “Belinda – Escrava do Silêncio”, “Duelo ao Sol”, “A Túnica”, “O Rei e Eu”, “A Pousada da Sexta Felicidade”, “Lawrence da Arábia”, “Música no Coração”, “Hello Dolly”, “O Padrinho”, “O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes”, “Oficial e Cavalheiro”.

No entanto, o Tivoli não foi concebido apenas para apresentar espectáculos de cinema. Assim, logo em 1925, e numa iniciativa de António Ferro, foi criado um grupo de teatro - o Teatro Novo.

Nele foram apresentadas várias peças, ousadas para a época, entre as quais “Knock ou o Triunfo da Medicina”.

O Tivoli continuou a “fazer-se teatro”! Após a morte Frederico Lima Mayer o seu filho instalou no Teatro um palco e camarins.

Neste palco apresentaram-se, então, companhias tão célebres como a Comédie Française e o Teatro do Vieux Colombier. Pisaram também o palco do Tivoli, em espectáculos musicais, entre outros os maestros Igor Stravinsky, “Sir” Thomas Beechan, Frederico de Freitas e Ivo Cruz, os pianistas Sequeira Costa, Maria João Pires, Tania Achot, Rubinstein e José Viana da Mota, o violinista Yehudi Menuhin, a violoncelista Guilhermina Suggia, e o coro dos Pequenos Cantores de Viena.

O bailado dominou igualmente as plateias do Tivoli através das actuações do Ballet do XX Siécle (com Maurice Béjart), o American Festival Ballet e o Ballet Soviético dos Cossacos da Ucrânia, entre outros.

Em 1973, o Tivoli deixou de pertencer à família Mayer tendo sido adquirido por João Ildefonso Bordallo.

Em 1989, o Tivoli foi adquirido pelo empresário espanhol Emiliano Revilla que, pouco depois, vendeu a maioria das suas acções a uma empresa de capitais Espanhóis.

Após um período de encerramento o Tivoli reabre as suas portas em 1999 tendo entretanto sido objecto de obras de remodelação.

Em 2004 o Tivoli foi adquirido pela Lx Skene empresa de capitais portugueses e actual proprietária do Teatro.

Arquitectura

O Cine Teatro Tivoli foi construído numa altura em que o movimento moderno se afirmava evidenciando um finíssimo gosto Neoclássico fazendo do Tivoli um exemplo único do género.

Respeitando uma geometria de formas acentuadas este Cine Teatro transmite um classicismo acentuado lembrando, logo na primeira vista do edifício, um teatro tipicamente francês onde abundam as coberturas de telha preta e abauladas com os vãos em forma de vigia.

Este edifício assume, assim características muito próprias não sendo evidente a sua massa ao contrário dos edifícios característicos da época.

Em termos de enquadramento urbano o Cine Teatro evidencia uma escala muito sensível ao quarteirão onde o mesmo se insere. A sua planta, predominantemente quadrangular, é constituída por diversos volumes de forma cilíndrica distintos de todos os outros.

De facto, existe um aproveitamento do gaveto que se assume que se assume com um papel muito importante na construção urbana. Esta situação é claramente reforçada pela sua cobertura em forma de cúpula, tornando o edíficio bastante elegante, onde pontifica um zimbório para iluminação zenital.

No interior do edifício é de realçar uma sala bastante sóbria ao melhor estilo do arquitecto Raul Lino. O enquadramento do Próscenio é feito recorrendo a um frontão clássico triangular apoiado em pilastras adossadas à parede. Igualmente reflexo do estilo adoptado são os motivos que decoram os balcões e os correspondentes elementos que os suportam.


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publicado por Teatro Tivoli às 15:36
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